Artigo publicado por AlmeidaCar no dia 25/06/2012

Audi Q3 2.0 TDI 140cv

Q3

A menos que viva no Sabugueiro e tenha de lidar com estradas geladas em invernos mais rigorosos do que este, ter um carro de tração integral em Portugal é um contrassenso: gasta mais, anda menos e os benefícios do 4×4 de pouco ou nada servem no quotidiano. Já o disse aqui várias vezes. E quem é que, no seu perfeito juízo, compra um Q3 e decide sujeitá-lo às agruras de uma sessão fora de estrada, correndo o risco de plantar um dispendioso para-choques no mato? Quase ninguém. É por isso que este Q3 faz todo o sentido. A imagem de marca torna-o num objeto de desejo para muita gente, o sentido de requinte dos Audi é um dado adquirido e vai a todo o lado (por asfalto) com a mesma pose altiva das versões 4×4. O 2.0 TDI 4×2 pode ser o mais básico dos Q3, mas é também o melhor da gama.

Resulta melhor ao vivo no Q3

De início, embirrava com o Q3. Nas fotos, parecia-me ser apenas mais um Audi, demasiado colado à imagem do Q5 e com poucos elementos de distinção. E desde que apareceu o Evoque, admito que deixei de ter olhos para mais SUV algum. Mas o Q3 resulta muito melhor ao vivo e, embora não tenha a beleza natural do tal Range Rover, a sua aparência sofisticada convenceu-me em pouco tempo – talvez sejam as luzes diurnas em LED, uns riscos de luz impecavelmente desenhados e que dão nas vistas em qualquer hora do dia. Certo é que o Q3 prende a atenção das pessoas, pelo que deduzo que a tarefa dos designers foi bem sucedida.

Se o Q3 é muito Audi por fora, ainda mais o é por dentro. O estilo mimetiza o do Q5, o rigor com que se executam os mais pequenos detalhes escapa a qualquer “Qashqai & Cia, Lda” e a qualidade geral envergonha o X1, um dos seus mais sérios rivais. Nota-se apenas que a posição de condução é mais elevada do que é costume na marca e que, por isso mesmo, o condutor fica um pouco desenquadrado face a alguns elementos da consola central, como o painel da climatização (diretamente importado do atual A3). A visibilidade é que sai beneficiada com isso – o Q3 é um aliado de confiança no meio do tráfego – assim como o acesso ao habitáculo, com os bancos a surgirem mais nivelados com as ancas de quem se apresta a entrar.

Ameaça ao Q5…
O 2.0 TDI de 140 cv foi o motor escolhido para a versão base do Q3. Suave, silencioso e disponível desde cedo, cativa desde o primeiro instante. Nota-se que não tem o fulgor da variante de 170 cv quando o ponteiro se aproxima das 4000 rpm, mas não se pode apontar o dedo no capítulo da performance: acelera dos 0 aos 100 km/h em 10 segundos e não é preciso lutar com a caixa para repor o andamento. Aliás, “lutar” é coisa que nunca vai fazer com a transmissão do Q3, que tem a suavidade e a leveza de atuação tipicamente Audi, tanto no seletor como no pedal da embraiagem. A condução é intuitiva e, acima de tudo, relaxante. A ação quase impercetível do stop/start também marca pontos e mal dá para acreditar no consumo registado em circuito urbano: 6,1 l/100 km!

O Q3 4×2 rola com pouco acelerador e a poupança é um dos seus maiores argumentos, com a média ponderada a ficar-se pelos 5,6 l/100 km, um valor notável para um veículo calçado com pneus 235/50 R18 e que pesa tonelada e meia. Seja pela suavidade com que “apaga” os buracos como pela forma controlada como se inclina em curva, nota-se que o Q3 favorece a comodidade, em vez de entrar naquele registo obsessivamente firme que os Audi costumavam defender. O fator 4×2 não põe em causa a vertente ativa da segurança e as rodas dianteiras dão conta do recado, mesmo quando se combina piso escorregadio com um pé direito mais pesado. No final do teste, sentam-se quatro pessoas a bordo do Q3 – sem apertos nem desconforto nos lugares traseiros – e dou por mim a pensar se valerá a pena despender mais cinco mil euros para ter um Q5…

in: Autohoje

Q3